• Rafael Trento

Qual o impacto do PIX na quitação de dívidas?

Atualizado: 25 de out. de 2021


Hoje em dia, quase um ano após a criação do PIX, praticamente todo mundo já utilizou o meio de pagamento para receber ou pagar contas, pessoas, etc.

Segundo o Banco Central, no dia 16 de maio, data da comemoração de seu primeiro semestre de existência, a ferramenta contava com mais de 242 milhões de chaves cadastradas, sendo 83 milhões de usuários pessoas físicas e mais de 5,5 milhões de empresas. O BC estima que aproximadamente 75 milhões de brasileiros já usaram o PIX para pagar ou receber, o que significa 45% da população adulta do país.




Mesmo esses números relevantes representam apenas o começo da jornada do instrumento de pagamento, que ainda dá os primeiros passos. Uma lista de funcionalidades ainda está por entrar em funcionamento e atrair ainda mais pessoas e empresas para o mundo dos pagamentos instantâneos.


Como o PIX impacta na quitação de dívidas?

Quando avaliamos com mais profundidade o PIX Cobrança por exemplo, que por característica tem um funcionamento muito similar ao de um boleto, existem aspectos envolvidos na adoção desse mecanismo que precisam ser avaliados pelas empresas para, por um lado, aproveitar ao máximo sua potencialidade, e por outro lado, evitar problemas decorrentes de um descompasso entre a velocidade do PIX e um ritmo eventualmente mais lento das estruturas e processos de atendimento ao consumidor.

Por exemplo, analise a situação de um varejo:

Imagine que um consumidor não tenha pago uma dívida com uma empresa do varejo, de acordo com a lei ele tem 30 dias para quitá-la sem ser negativado. Porém ele deixa para pagar no último dia hábil. No momento em que vai ser negativado, ele paga usando o PIX. Como ocorre essa comunicação, para que o comprador não tenha prejuízos? Visto que o PIX é instantâneo?

Quanto isso pode custar em termos de processos judiciais e prejuízo para a imagem da empresa? Para evitar esses erros, é fundamental que os pagamentos por PIX sejam atualizados e disponibilizados imediatamente ao time operacional. O mesmo tipo de cuidado deve ser aplicado em operações de crédito.

Com o PIX, o score dos consumidores ou potenciais clientes se torna muito mais dinâmico, podendo mudar rapidamente durante o mesmo dia. Pela manhã, a pessoa pode constar com uma pendência, e ao meio dia, ela já ter quitado a mesma.

Uma situação interessante de se comentar é a economia que o PIX permite que as pessoas tenham com taxas de boletos bancários e taxas com cartão de crédito. Essa economia por conta das taxas nulas do PIX permite que o prestador de serviços ou a empresa beneficie o cliente com descontos maiores, assim todos saem ganhando.

Outra situação que merece atenção é que, como o PIX permite pagamentos em finais de semana e feriados, estes recursos, que antes eram contabilizados apenas em dias úteis, agora passam a ficar disponíveis na conta das empresas imediatamente.

Desta forma, para não deixar de rentabilizar esse dinheiro, as empresas precisam se preparar e prever a aplicação dos recursos vindos pelo PIX creditados em dias e horários não úteis.

Estes são apenas alguns exemplos que deixam clara a necessidade de ajustes em rotinas (sistêmicas ou não), as quais se iniciam sob o prisma financeiro, mas que podem repercutir em tesouraria, contabilidade, impostos, crédito e operações.

E isto, pelos números apresentados no começo deste texto, devem ser feitos instantaneamente, na velocidade do PIX, caso contrário, os problemas ou a perda de recursos podem chegar primeiro e em grande proporção.

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